Ex-vereador e esposa mortos foram ‘punidos por ódio e desejo materialista’

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Depois da primeira audiência envolvendo os acusados de matar o ex-vereador Cristovão Silveira e a esposa Fátima Silveira, em julho deste ano na chácara do casal, advogado assistente de acusação, Fabio Trad Filho, afirmou que ficou comprovado que Silveira e a esposa sempre trataram bem o caseiro acusado pelo crime. Para o advogado, o casal foi punido “por ódio e desejo materialista” dos acusados.

Na primeira audiência, foram ouvidos três policiais militares que atenderam a ocorrência e testemunhas de defesa. Além do caseiro Rivelino Mangelo de 45 anos, também são réus no processo os filhos dele Rogério Nunes Mangelo, de 19 anos, e Alberto Rivelino Nunes Mangelo. Todos estão presos.

Ao fim da audiência realizada na 4ª Vara Criminal da Capital, advogado de Alberto, Conrado dos Passos, afirmou que o cliente não teve participação no crime e que apenas recebeu os produtos que o pai, o irmão e mais um comparsa roubaram da residência, entre eles uma televisão.

“Meu cliente não teve participação nesse crime, ele foi vítima de uma tentativa de excluir os outros. Ele estava trabalhando na fazenda e os rapazes tentaram esconder as coisas com meu cliente. Ele não tinha conhecimento do crime cometido pelo pai”, completou o advogado.

Assistente de acusação, o advogado Fábio Trad Filho ressaltou o fato do crime ter sido bárbaro e ter chocado toda a sociedade. “Reunidas as provas, a motivação foi patrimonial, latrocínio, maior pena do código penal. Circunstâncias do crime foram bárbaras e cruéis. O casal sempre os tratou bem e foi punido por ódio e desejo materialista”, disse o advogado.

Detalhes em relação ao estupro, crime também imputado aos acusados que vitimaram Fátima, não foram repassados pelo advogado.

Além das testemunhas, Alberto e Rivelino participaram da audiência, no entanto, nenhum defensor do caseiro Rivelino falou com a imprensa. O filho do casal morto, Filipi Silveira, também acompanhou a oitiva das testemunhas. Uma nova audiência deve ser marcada para o próximo dia 1º de novembro para oitiva dos outros envolvidos. Pelo menos mais três audiências devem ocorrer antes do julgamento.

O caso

Cristovão Silveira e a esposa Fátima Silveira foram assassinados no dia 18 de julho, quando chegaram a chácara por volta das 15 horas. Cristóvão teria sido atraído até o galpão e no local foi cercado pelos três suspeitos.

A vítima, que recebeu um primeiro golpe na nuca teve o dedo decepado ao tentar se defender das facadas. As mãos de Cristóvão estavam bastante machucadas e um golpe na altura do pescoço chegou a quebrar sua coluna.

Ao ver que o marido estava sendo atacado pelo trio, Fátima tentou ajuda-lo com um cabo de vassoura, mas caiu no chão e foi atacada com dois golpes de facão por Rivelino. O caseiro negou que tenha tinha tido relação sexual com Fátima e disse que tirou as roupas dela e passou as mãos em suas partes íntimas.

Após as mortes, o caseiro, foi preso quando recebia alta do hospital Santa Casa, após ser atendido por causa de um corte profundo no pé. Ele foi socorrido depois que a dona de um bar, que fica a 800 metros da chácara, acionou o socorro. Segundo ela, Rivelino chegou a dizer que sete homens invadiram o local para roubar. Mas, após ser levado para depoimento acabou confessando a autoria dos assassinatos.

Assim que mataram o casal, Rogério e Diogo fugiram com a caminhonete até Anastácio e, então, até uma chácara localizada a 30 km de Aquidauana, onde estava Alberto Rivelino, 21 anos, também filho do caseiro e que teria ficado com uma TV roubada do casal.

Alberto confessou à polícia, que o primo e o irmão chegaram ao local na caminhonete roubada com as roupas ensanguentadas e teriam queimado as peças. Diogo então seguiu com um outro comparsa, já que o mesmo não sabia dirigir, para a Bolívia. Ele acabou morto em uma troca de tiros com a polícia durante sua fuga, no município a 444 quilômetros de Campo Grande.