Força Nacional pode vir a MS, mas intervenção em presídios custará quase R$ 1 milhão por mês

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Os agentes federais de execuções penais, que atuam nos quatro presídios federais do Brasil, entre eles o de Campo Grande, deixarão de fazer escoltas aéreas de presos em dias de folga, além de não executarem mais tarefas de ‘chefia informal’ dentro dos estabelecimentos penais. Com isso, o Governo Federal chegou a convocar agentes da Força Nacional para intervir dentro dos presídios. Porém, com essa decisão, o ‘rombo’ aos cofres públicos chegaria a quase R$ 1 milhão por mês.

Conforme o presidente do Sindicato dos Agentes Federais de Execução Penal de Mato Grosso do Sul, Gentil Ney da Silva, além de realizarem as atividades de escolta aéreas em dias de folga, os agentes também atuam em cargos de ‘chefia informal’ dentro dos presídios e não recebem nada a mais pelos serviços prestados. ”Realizamos os trabalhos, não temos nenhuma contrapartida, trabalhamos de graça e somos cobrados pelos resultados como se fossemos responsáveis por aquele trabalho, respondendo até processo administrativo. Estamos há 12 anos tentando resolver a situação e sempre temos negativa do governo”, explicou.

Segundo Gentil, caso o Governo Federal coloque as Forças Armadas dentro dos presídios, além de cometer uma improbidade administrativa, já que apenas agentes estão autorizados a atuarem dentro dos estabelecimentos penais, também terá um gasto muito maior do que se remunerassem os próprios agentes para desempenharem as funções.

Gentil explicou que a remuneração dos agentes das quatro unidades federais do Brasil custaria R$ 36 mil por mês ao governo. Caso coloque 35 homens das Forças Armadas em cada presídio, o valor chega a R$ 28 mil por dia. Ou seja, em um mês, o gasto seria de quase R$ 1 milhão.

O sindicalista também ressaltou que colocar as Forças Armadas dentro dos presídios não irá resolver o problema. ”A escolta aérea que deixamos de fazer, eles também não podem fazer. Ou seja, a Força Nacional ficará de braços cruzados dentro dos estabelecimentos”.

Apesar de terem anunciado que não vão mais realizar as escoltas aéreas nos dias de folga, Gentil afirmou que todas que já estão marcadas serão mantidas. ”Avisamos com antecedência que deixaríamos de fazer as escoltas e demos um prazo até o dia 6 de julho para que o caso fosse resolvido. Como essas escoltas são marcadas com muita antecedência, as que estão agendadas para o mês de julho serão honradas. A partir disso, nenhum agente fará mais esse serviço”, ressaltou.