MS é protagonista de novo projeto de saída para o Pacífico

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Um novo projeto de ligação bioceânica, exclusivamente por ferrovias, foi apresentado nesta terça-feira (19) na Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), em Campo Grande. O projeto bilionário que aproveita as ferrovias já existentes despertou a atenção do governo de Mato Grosso do Sul e tem atraído a atenção internacional.

De acordo com o coordenador do projeto da Ferrovia TransAmericana, Daniel Rossi, o presidente da Bolívia, Evo Morales, estimou que o investimento em todo o traçado, atravessando a América Latina, tenha um custo de US$ 10 a US$ 15 bilhões. Esse valor, no entanto, ainda não foi confirmado pelas empresas provadas que encabeçam o projeto. No Brasil, o investimento pode ficar entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões.

A TransAmericana irá reduzir a distância a ser percorrida pelos produtos até o mercado asiático em cerca de 20 mil quilômetros. A principal vantagem é o custo com o transporte. Outra, é a redução do tempo do percurso marítimo, em 20 dias. Os produtos chegariam ao Oceano Pacífico pelo Chile, visando o mercado asiático, em especial a China.

Os quatro produtos do Brasil mais importados pela China são: minério, soja, celulose e açúcar. Todos eles são produzidos em Mato Grosso do Sul. No estado, a intenção é ter Três Lagoas, Corumbá e Campo Grande ligados na Ferrovia TransAmérica. Entre os principais produtos do Estado a serem exportados para os Tigres Asiáticos são Minério de Ferro, produzido em Corumbá; a celulose e a madeira, de Três Lagoas; a cadeia bovina, combustíveis e a soja.

Concessão

O projeto ainda depende da ampliação da concessão ferroviária da Malha Oeste. O pleito, segundo Daniel Rossi, é de mais 30 anos, passando de oito para 38 anos. “Só para em pé este projeto com a Malha Oeste”, afirmou Daniel Rossi.

Projeto internacional

Os presidentes Michel Temer e Evo Morales já firmaram um memorando de entendimento entre os ministérios dos Transportes do Brasil e de Obras Públicas da Bolívia, para viabilizar o corredor ferroviário. E de acordo com Daniel Rossi, alemães demonstraram interesse em administrar a ferrovia.

O governador Reinaldo Azambuja destacou a viabilidade do traçado desse novo projeto. “Pela primeira vez temos um traçado bem feito de integração latino-americana”, afirmou. “Enxergamos um horizonte de oportunidades”. Azambuja afirmou ainda acreditar nos dois projetos bioceânicos: o rodoviário e o ferroviário.

O Projeto da Ferrovia TransAmericana envolve um consórcio de empresas privadas formado pela Rumo – Malha Oeste, Ferroviária Oriental (Bolívia), Ferroviária Andina (Bolívia), Transfesa, MP Trade (China/Brasil) e a empresa Hub Intermodal Três Lagoas.

De acordo com o secretário Jaime Verruck, da Semagro, o governo de Mato Grosso do Sul tem participado dando segurança jurídica e fazendo a defesa do projeto. Reinaldo Azambuja conseguiu com o presidente Michel Temer a inclusão da TransAmericana na relação de projetos prioritários.

Viatura

Antes de participar da cerimônia na Semagro, o governador Reinaldo Azambuja entregou uma nova viatura, um jipe, ao Corpo de Bombeiros para combate a incêndios.