No sertão nordestino, professora campo-grandense precisa de água para continuar lecionando

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Ela foi viver uma missão que é para poucos e tem como xodó um aluno de 72 anos

No dia dos professores, comemorado em 15 de outubro, o TopMídiaNews conta a história de Karla Fernanda que, com 16 anos, começou suas andanças pelo mundo. Missionária, que são aquelas pessoas que saem em missões evangelísticas, ela começou inicialmente em Mato Grosso do Sul. Apesar de pequena, os passos foram largos e cruzaram da Bolívia ao Haiti.
Quando ouviu a frase “os que estavam em trevas viram luz”, entendeu que seu lugar era ensinando pessoas a lerem. “Ou enxergar a luz do mundo por meio das palavras e a luz de Cristo. Não é evangelizar por evangelizar, e sim dar uma nova perspectiva de vida a essas pessoas”, conta ela hoje com pés em Betânia do Piauí, no Piauí, distante nada menos do que 2.700 quilômetros de Campo Grande.

Lá, onde está, Karla e seus companheiros de missão precisam de uma grande ajuda.

Dessa vez para comprar algo que é básico, mas essencial: água!

A história da missionária começou a ganhar corpo com alfabetização de jovens e adultos, aproveitando a formação dela. “Em 2013, 2014 e 2015 eu fui para o Haiti e a pretensão era morar lá, onde há uma carência muito grande. Mas os planos de Deus não são nossos”, conta.

Karla sempre pensou em morar no Haiti, mas em 2016 ela fez sua primeira viagem ao sertão. “Um dia veio um casal de missionários responsáveis pelo projeto do Instituto Novo Sertão, veio não, foi para Campo Grande e conheceram minha mãe”, fala como se tivesse ainda na Capital Morena.

“Fui para conhecer a primeira vez, daí foi mais uma, mais outra viagem e Deus falou muito claro comigo, onde num congresso com jovens quilombolas, eu ouvi que o povo que andava em trevas viu uma grande luz. E aqui, tem um alto índice de analfabetismo e entendi que minha profissão de professora seria benção aqui também, onde trabalho com alfabetização de jovens e adultos”, conta após trabalhar dando aulas de língua portuguesa para haitianos.

Mudança radical

Em abril deste ano, ela foi morar em Betânia do Piauí, onde são seis mil habitantes, a maioria morando em área rural distribuída em 36 comunidades, e precisam de muita ajuda agora. “Não chove e as barragens onde a gente pegava água aqui todas secaram. O instituto surgiu a partir da necessidade de água, mas temos vários trabalhos sociais como projetos de esportes, geração de renda por meio do artesanato, alfabetização de jovens e adultos com teatro, música e várias atividades desenvolvidas. Mas água é um bem precioso, que só tem quando cai do céu”, diz.

A viagem durou quase 40 horas e foi de carro. A família toda foi junto para levar o carro da professora para particpar junto da missão. “Ela ia para o Haiti e eu ficava pensando como ia fazer pra visitar ela tão longe”, conta a mãe Eliane Orejana, que acredita que a missão da filha é o maior presente. “Tantas mães sofrendo com o filho longe, porque estão nas drogas ou presos, eu não posso sofrer porque minha filha está servindo a Deus, é para a honra e glória do Senhor”, garante ela, que faz questão de exaltar aquilo que acredita.

Zé Marcelino, aos 72 anos, é um exemplo

A vida no sertão não é nada fácil, e sim, é a fé que move quem aceita ser missionário. “É um chamado, eu aceitei o meu, e mesmo aqui sendo um clima desértico, acredito que podemos ajudar. Quando vejo um homem aprendendo a ler aos 72 anos, já vejo que vale apena. Como ele tem me ensinado na simplicidade da sua fé. Visitamos a horta que ele está fazendo, onde achamos que não poderia frutificar nada, o Senhor tem sido a riqueza dele. Seu Zé tem dois filhos surdos e sua esposa que perdeu a visão e os médicos dizem ser irreversível, mas em todos os cultos e momentos de oração ele sempre pede para que Deus a cure”, testemunha.

Apesar de saber que a fé move montanhas, Karla também acredita no poder da união. “Como as crianças não leem, as escolas são bem pobres, não tem livros, fizemos uma arrecadação de mil livros e queremos também que isso cresça. Eu vim para trabalhar com alfabetização de jovens e adultos, mas quando cheguei, vi que era um trabalho muito maior a ser feito”, afirmou.

E como o mundo hoje é bem globalizado, quem quiser ajudar pode ajudar de qualquer lugar e com qualquer valor. Quem quiser contribuir a conta é no Banco Caixa. Agência 3467, variação 003 e conta corrente 623-0 em nome do Instituto Novo Sertão (CNPJ: 22.985.281/0001-11).

Qualquer valor é bem-vindo, pois a água é comprada em caminhões pipas que percorrem longas distâncias para chegar até Betânia e região.

Missões

Karla é missionária da Terceira Igreja Batista em Campo Grande, onde congrega com a família. Os missionários geralmente recebem o básico para subsistência para viverem em locais de difíceis acessos ou em situação de extrema necessidade. A igreja participa de missões variadas como as famílias ribeirinhas com o barco Pantavida, projetos no Sertão nordestino, comunidades indígenas e quilombolas do Estado, além de projetos missionários no exterior como implantação de escolas e hortas na África.