Oficial da PM com salário de R$ 22,8 mil está entre investigados na Máfia dos Cigarreiros

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Entre os investigados por corrupção na Operação Oiketikus está o tenente-coronel Admilson Cristaldo Barbosa, que ocupa cargo de chefia da Polícia Militar no município de Jardim e tem salário mensal de R$ 22.851,93. Realizada pelo Gaeco e pela Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, a ação policial é mais uma ofensiva contra a chamada ‘Máfia dos Cigarreiros’.

No total, 20 policiais foram presos nesta quarta-feira (16) durante a operação. Segundo o Gaeco, os investigados são suspeitos de integrar uma “organização criminosa composta por policiais militares que atuam na facilitação do contrabando de cigarros”.

Conhecido como Chico Bento, o graduado investigado chegou à sede da Corregedoria da PMMS encaminhado por colegas de farda. Segundo dados oficiais do Governo do Estado no Portal da Transparência, além da remuneração fixa de mais de 22 mil reais, ele recebe ganhos eventuais de R$ 2.506,60. Após depor, o oficial deixou o local.

Em nota enviada à imprensa, o Gaeco confirmou que cumpriu 19 mandados de prisão preventiva, 1 mandado de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Juízo da Auditoria Militar.

A operação 

A operação contou com a participação de cerca 125 policiais militares e nove promotores de Justiça. Os mandados tiveram como alvo as residências e locais de trabalhos de todos os investigados, distribuídos nos municípios de Campo Grande, Dourados, Jardim, Bela Vista, Bonito, Naviraí, Maracaju, Três Lagoas, Brasilândia, Mundo Novo, Nova Andradina, Boqueirão, Japorã, Guia Lopes, Ponta Porã e Corumbá. Dentre os policiais militares presos, estão praças e oficiais.

Após a realização dos procedimentos de praxe e eventuais lavraturas de autos de prisão em flagrante pela Corregedoria da Polícia Militar, serão encaminhados ao presídio militar de Campo Grande.

Todos os mandados de busca foram cumpridos, mas um mandado de prisão preventiva permanecia em aberto até a publicação deste texto.

A operação faz alusão ao bicho cigarreiro, que são as lagartas que constroem uma estrutura com seda com o formato semelhante a um cigarro.

Máfia dos cigarreiros

Em abril deste ano, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o contrabando de cigarros. A ação foi batizada de “Homônimo”, e ocorreu nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Em Mato Grosso do Sul foram cumpridos mandados em Naviraí e Iguatemi.  Foram expedidos pela Justiça 35 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, 45 mandados de busca e apreensão, 32 de bloqueios de bens.

A investigação teve início em agosto de 2017, e apontou que a quadrilha sonegava mais de R$ 14 milhões em impostos e faturava R$ 2 milhões com a venda da mercadoria ilegal.

Em fevereiro deste ano, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) apreendeu carga com 700 mil maços de cigarros contrabandeados em Coxim, cidade distante a 260 quilômetros de Campo Grande. A carga foi avaliada em R$ 3,5 milhões. O motorista informou que pegou o carregamento no Paraguai e levaria para a cidade de Goiânia (GO), onde receberia o pagamento pelo transporte.

Prisões

Em dezembro de 2017 no Estado, sete policiais militares foram presos por envolvimento na chamada “Máfia do Cigarro”. O esquema envolvia suposta cobrança de propina por policiais de Mato Grosso do Sul para permitir a ação contrabandistas de cigarros. Na data, o grupo era suspeito da cobrança de R$ 150 mil para a “liberação” de um caminhão com carga de cigarros contrabandeados do Paraguai.

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