Tereza Cristina declara que boi é considerado “bombeiro” do Pantanal

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Com oito meses de queimadas intensas no Pantanal, foram registrados 19,557 mil focos de incêndio no bioma. Nesta sexta-feira (09), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que se houvesse mais gado, o desastre no bioma seria menor.

Em audiência pública do Senado a ministra explicou que o boi é o “bombeiro” do Pantanal, pois ele come a massa seca do capim, que com a seca se torna combustível.

“Se nós tivéssemos um pouco mais de gado no pantanal isso teria sido um desastre menor do que nós tivemos esse ano. Isso tem que servir como reflexão do que nós temos que fazer”, declarou Cristina.

A ministra disse ser fundamental a elaboração de medidas preventivas aos incêndios no bioma e de políticas favoráveis a produção nas terras pantaneiras. Cristina também comparou os incêndios deste ano com os ocorridos há mais de 40 anos.

“Tenho medo de criar muitas medidas, num momento difícil como esse, porque o fundamental é termos ações preventivas e de combate ao fogo que ainda funcionem daqui a quatro anos, por exemplo”, relatou a ministra da Agricultura.

Cristina ainda comentou que vai analisar a proposta sugerida pela senadora Simone Tebet de incluir o Pantanal no escopo do Conselho Nacional da Amazônia Legal até 2025. A ministra explicou que o Governo Federal não vê dificuldades no requerimento, mas o documento aprovado hoje (09), precisa ser estudado.

Queimadas

De acordo com o Laboratório de Aplicação e Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), 26% do Pantanal foi consumido pelo fogo até o dia 03 de outubro. O percentual equivale a 3,977 milhões de hectares.

A área queimada no Pantanal do Mato Grosso do Sul foi de 1,817 milhão de hectares. Enquanto em Mato Grosso já são 2,160 milhões de hectares atingidos pelas chamas. De acordo com boletim do Governo Estado, o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari teve 68,6% de sua área queimada, que representa 21 mil hectares do bioma.

De acordo com Instituto Nacional de Pesquisas (Inpe), em 2020 o Pantanal de Mato Grosso do Sul registrou 7,754 focos de incêndio. Já em 2019, foram identificados 5,049 pontos de calor. Houve aumento de, aproximadamente, 35% de queimadas em comparação com os dois anos no mesmo período.