– Policiais militares do Choque estão neste momento na Reserva Indígena de Dourados para cumprir determinação judicial de desbloqueio das rodovias fechadas pela comunidade –
– Desde segunda-feira as vias foram interditadas em protesto contra a falta de água aos moradores da região –
O bloqueio iniciado por indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó na rodovia na rodovia MS-156, que conecta Dourados a Itaporã, completa três dias nesta quarta-feira.
Desde a manhã de segunda-feira, a via permanece totalmente interditada, sem qualquer liberação, em protesto contra a crise de abastecimento de água que atinge a Reserva Indígena de Dourados há anos.
Agora pouco tropas de choque foram deslocadas para Dourados com o objetivo de cumprir um mandado judicial e desobstruir a rodovia. A presença policial marca uma nova etapa no impasse, já que os manifestantes mantiveram o bloqueio apesar de possíveis negociações.
Os manifestantes, liderados pelo capitão Ramão Fernandes, exigem soluções definitivas para a escassez hídrica, como a perfuração de poços artesianos e o envio diário de água, até que os poços estejam prontos. Fernandes criticou medidas paliativas, como o envio de caminhões-pipa, que ele descreveu como insuficientes e temporárias.
“Queremos um compromisso formalizado, com contrato assinado, garantindo a perfuração dos poços. Não vamos aceitar promessas vazias novamente”, afirmou o líder indígena.
Diferentemente de protestos anteriores, quando a rodovia era liberada em intervalos, desta vez o bloqueio foi total e contínuo, impossibilitando o trânsito.
Fernandes ressaltou que a decisão de manter a via fechada por tempo indeterminado reflete o Estado crítico enfrentado pelas comunidades, que sofrem há mais de cinco anos com a falta de água potável.
“A situação é insustentável. Não temos água para nossas famílias, e até os animais estão morrendo de sede. Este protesto é nossa última alternativa para sermos ouvidos pelas autoridades”, desabafou Fernandes.
Quatro indígenas são presos e cinco policiais ficam feridos durante conflito na MS-156
Indígenas protestam há três dias por falta de água potável nas aldeias
Marcos Morandi, Lívia Bezerra –

Quatro indígenas foram detidos e cinco policiais militares ficaram feridos na MS-156, região da aldeia Bororó, entre Itaporã e Dourados, onde ocorre um conflito indígena no início da tarde desta quarta-feira (27). No local, indígenas protestam pela falta de água há pelo menos três dias, pedindo pela construção de quatro poços e caminhões-pipa.
Conforme apurado pela reportagem do Jornal Midiamax, cerca de 18 viaturas da PM estão no local, entre elas, o Batalhão de Choque, PMR (Polícia Militar Rodoviária), Batalhão de Polícia Militar Rural e o Canil. Como não houve acordo entre os policiais e os indígenas no local, foram feitos disparos de balas de borracha.
Durante a tentativa de encerrar o protesto, os policiais detiveram quatro indígenas. Além disso, cinco policiais se feriram. Ainda conforme apurado no local, os manifestantes apedrejaram dez viaturas, que tiveram os vidros quebrados.
Equipes encaminharam os indígenas para a delegacia, enquanto os policiais militares feridos foram levados para atendimento médico no Hospital da Vida, em Dourados.
Ainda no início desta tarde, um caminhão-pipa chegou à região, possivelmente para atender a população indígena que protesta por falta de água. A rodovia entre Itaporã e Dourados continua totalmente bloqueada.
Choque mandou reforço com mais 60 policiais para região
Informações obtidas pelo Jornal Midiamax são de que 60 policiais estão envolvidos na ação. Antes das 11 horas da manhã de quarta (27), três viaturas saíram do batalhão e outras duas devem sair para a área de conflito.
O Jornal Midiamax entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar para saber sobre a ação. Em nota, a Sejusp informou que todas as vias de negociação foram esgotadas. Confira a nota na íntegra:
“A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, esgotadas todas as vias de negociação, e para garantir os direitos constitucionais, agiu na manhã desta quarta-feira (27) para desobstruir as rodovias estaduais que estavam bloqueadas. Com apoio do Corpo de Bombeiros Militar e de equipes da Agesul, removeram entulhos e apagaram focos de incêndio nas pistas. As forças de segurança manterão efetivo para garantir a paz em todo território sul-mato-grossense. O governo estadual reforça seu compromisso com a transparência, refutando iniciativas político-eleitoreiras, e age em prol de um caminho de justiça e respeito. Em tempo, o governo de MS, por meio da SEC, se manteve em contínuo diálogo com todos os envolvidos em busca, sempre, de uma solução pacífica, e lamenta episódios de agressões e enfrentamentos.”
‘Só queremos água’
Pela manhã, indígenas reclamaram de conflito após três dias de ocupação na MS-156. Por isso, nesta quarta (27), o manifesto entrou no terceiro dia e até o momento segue sem solução.
“Podem até fazer o desbloqueio à força, mas não admitimos que entrem aqui na aldeia atirando contra os nossos parentes. Não estamos pedindo dinheiro e nenhum benefício próprio. Ao invés de água, mandam a polícia e nos dão tiros de borracha”, disse uma moradora da Aldeia Jaguapiru à reportagem do Jornal Midiamax, que acompanhou a chegada da tropa.



